Juca Mulato

Juca Mulato
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Juca Mulato (1917) é um dos primeiros livros de poesia publicados pelo poeta brasileiro Menotti del Picchia. Conta sobre o caboclo Juca, trabalhador de uma fazenda, descrito nos primeiros versos como em estado de comunhão com a natureza,[1] que sente uma "cisma" - sentimento de inadequação racial,[2] aumentado desde o dia em que flagra a filha da patroa o contemplando.[3]



  • "E Juca ouviu a voz das coisas. Era um brado; "Queres tu nos deixar, filho desnaturado? E um cedro o escarneceu: "Tu não sabe, perverso, que foi de um galho meu que fizeram teu berço? É a torrente que ia rolar para o abismo: "Juca, fui eu quem deu água do teu batismo."
- (PICCHIA, Manotti del, juca mulato, Belo Horizonte, 1982, p.42-44)
  • "Uma estrela, a fulgir, disse da atérea altura: "Fim eu que iluminei a tua choça escura no dia e que que nascente. Eras frazino e doente. E teu pai te abençou chorando de contente...
- Será doutor! - A mãe disse e teu pai sensato:
- Nosso filho será um caboclo do mato, forte como a peroba e livre como vento!
- (PICCHIA, Manotti del, juca mulato, Belo Horizonte, 1982, p.42-44)

Referências

  1. Daniel Faria. O mito modernista. Universidade Federal de Uberlândia; 2006. ISBN 978-85-7078-110-9. p. 310.
  2. Antonio Celso Ferreira. A epopéia bandeirante: letrados, instituições, invenção histórica (1870-1940). UNESP; 2001. ISBN 978-85-7139-386-8. p. 310.
  3. Alceu Amoroso Lima. Estudos literários. Companhia Aguilar Editôra; 1966. p. 135.