Florestan Fernandes: diferenças entre revisões

1 337 bytes removidos ,  18 de setembro de 2009
*“As classes burguesas cerram os olhos diante das duas realidades ou lançam-se ao combate para que elas se tornem possíveis, pois lhes cabe esse triste papel de associar a anulação da revolução nacional à industrialização maciça, à aceleração do desenvolvimento capitalista e à absorção das empresas multinacionais. O intelectual divergente, considere-se ou não parte da burguesia, tem de seguir outro caminho. Para explicar-se, ele precisa começar pela verdade – não uma parte da verdade, mas toda a verdade. Todavia, fazer isso não é o mesmo que procurar uma justificação. Ao contrario, é repor o intelectual no circuito das relações e dos conflitos de classes, para poder descobrir como e por que numa sociedade capitalista dependente mesmo a intelligentsia crítica e militante é importante, enquanto as forças de transformação ou de destruição dessa sociedade não chegam constituir-se e a operar revolucionariamente, engendrando ou uma ordem burguesa efetivamente democrática ou uma transição para o socialismo. Por sua vez, de nada adiantaria uma retórica ultra-radical, de condenação e expiação: o intelectual não cria o mundo no qual vive. Ele já faz muito quando consegue ajudar a compreendê-lo e a explicá-lo, como ponto de partida para a sua alteração real”.
'''Fonte: FERNANDES, FLORESTAN. A Sociologia no Brasil. 2ª ed. Petrópolis: Vozes, 1980.'''
 
 
*“Falando de Florestan Fernandes, é preciso assinalar que, além da obra de sociólogo e da ação de intelectual empenhado nos problemas do campo, além da atividade de professor, de formador de equipe, de criador de rumos na teoria e na investigação, ele realizou outra obra não menos admirável: a construção de si mesmo”.
'''Fonte: CANDIDO, Antonio .Nota final. In: Lembrando Florestan Fernandes. São Paulo : Edição Particular, 1996, p.63.'''
 
 
*“É claro que isso não poderia deixar de trazer junto uma quota ponderável de ‘agressividade necessária’, nesses casos é também blindagem. E ela podia motivar no jovem Florestan certa aspereza de trato, sempre que as coisas não andassem como esperava. Além disso, a preeminência cultural obtida a duras penas o levava por vezes à impaciência e ao excesso de sobranceria. Assim, no campo das idéias e das realizações podia desqualificar com intolerância o que não correspondesse ao seu pensamento, pois esse funcionava com um rigor que tendia a fazê-lo rejeitar o que não tivesse percorrido o mesmo e obstinado caminho. Daí rompantes nem sempre necessários, que surgiam de vez em quando e assustavam os povos...”.
'''Fonte: CANDIDO, Antonio .Nota final. In: Lembrando Florestan Fernandes. São Paulo : Edição Particular, 1996, p.64.'''
 
 
*“Não me preparei para ser um universitário, mas fui universitário no sentido pleno da palavra. A tal ponto que quando deixei de ser universitário, fiquei desarvorado. Eu não sei pra onde vou. Estou numa crise que é psicológica, é moral e é política... (pois) ...perdi um ponto de referência e de identidade que poderia ser muito vantajoso para minha sobrevivência e o meu trabalho”.
'''Fonte: Entrevista de Florestan Fernandes. Transformação, Assis, 1975. p.74.'''
 
 
 
==
5

edições