Diferenças entre edições de "Os Maias"

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sem resumo de edição
 
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* “Se não aparecerem mulheres, importam-se, que é em Portugal para tudo o recurso natural. Aqui importa-se tudo. Leis, ideias, filosofias, teorias, assuntos, estéticas, ciências, estilos, indústrias, modas, maneiras, pilhérias, tudo nos vem em caixotes pelo paquete. A civilização custa-nos caríssima, com os direitos de alfândega:e é tudo em segunda mão, não foi feita para nós, fica-nos curta nas mangas...”
 
:- João da Ega
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- Ninguém faz nada - disse Carlos espreguiçando-se. - Tu, por exemplo, que fazes? <br />
:'''João da Ega''': Falhámos a vida, menino!
Cruges, depois de um silêncio, rosnou encolhendo os ombros: <br />
:'''Carlos da Maia''': Creio que sim.... Mas todo o mundo mais ou menos a falha. Isto é, falha-se sempre na realidade aquela vida que se planeou com a imaginação. Diz-se: «Vou ser assim, porque a beleza está em ser assim.» E nunca se é assim, é-se invariavelmente assado, como dizia o pobre marquês. Ás vezes melhor, mas sempre diferente."
- Se eu fizesse uma boa ópera, quem é que ma representava? <br />
- E se o Ega fizesse um belo livro, quem é que lho lia? <br />
O maestro terminou por dizer: <br />
. Isto é um país impossível... Parece-me que também vou tomar café. <br />
 
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:'''João da Ega''':- Falhámos a vida, menino!
:'''Carlos da Maia''':- Creio que sim.... Mas todo o mundo mais ou menos a falha. Isto é, falha-se sempre na realidade aquela vida que se planeou com a imaginação. Diz-se: «Vou ser assim, porque a beleza está em ser assim.» E nunca se é assim, é-se invariavelmente assado, como dizia o pobre marquês. Ás vezes melhor, mas sempre diferente."
 
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"Não valia a pena dar um passo para alcançar coisa alguma na Terra - porque tudo se resolve, como já ensinara o sábio do «Eclesiastes», em desilusão e poeira."
 
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"- Que raiva ter esquecido o paiozinho! Enfim, acabou-se. Ao menos assentámos a teoria definitiva da existência. Com efeito, não vale a pena fazer um esforço, correr com ânsia para alguma coisa. <br />
Ega, ao lado, ajuntava, ofegante, atirando as pernas magras: <br />
- Nem para o amor, nem para a glória, nem para o dinheiro, nem para o poder... <br />
A lanterna vermelha do americano, ao longe, no escuro, parara. E foi em Carlos e em João da Ega uma esperança, outro esforço: <br />
- Ainda o apanhamos! <br />
- Ainda o apanhamos! <br />
De novo a lanterna deslizou e fugiu. Então, para apanhar o americano, os dois amigos romperam a correr desesperadamente pela Rampa de Santos e pelo Aterro, sob a primeira claridade do luar que subia."
 
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