Diferenças entre edições de "Tony Duvert"

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* Imitar apenas o inimitável.
 
AEGENT (dinheiro)
 
* Tenho uma tendência terrível a pedir dinheiro a qualquer um que me falefalar bem de mim.
::''J'ai une terrible tendance à demander de l'argent à quiconque me dit du bien de moi''.
 
AU DELÀ (além)
* O paraíso dos cristãos seria um inferno para mim. Por isso, se o seu insuportável deus existe, me condenará a permanecer junto a ele.
::''Le paradis des chrétiens me serait un enfer. Si leur insupportable dieu existe, il me condamnera donc à rester près de lui.''
 
AVANCE (avanço)
 
* Se você é um adiantado ao seu tempo, amanhã por fim o adoraram os idiotas.
::''Si tu es en avance sur ton temps, demain enfin les imbéciles t'aimeront.''
 
AVORTEMENT (aborto)
*— Como acreditar nesse deus com barba branca, se eu não gosto de pêlos?<br />— E o menino Jesús?<br />— Ele não foi crucificado quando criança. Isso mo estraga tudo.
:: ''Comment croire en ce gros dieu à barbe blanche, si je n’aime pas les poils ?''<br />''— Et le petit Jésus ?''<br />''— Ils ne l’ont pas crucifié enfant. Ça me gâche tout.''
 
CRUAUTÉ (crueldade)
 
* Só chamamos de crueldade aquela da qual somos vítimas. A que exercemos nós a denominamos dever, amor ou direito.
::''Nous n'appelons cruauté que celle dont nous sommes victimes. Celle que nous exerçons, nous la baptisons devoir, amour ou droit.''
 
CULTURE (cultura)
*A imprensa, heterossexual e familiar, descreve os pederastas como agressores temíveis para as crianças. Mas, na sua imensa maioria, as violações de crianças são heterossexuais e familiares. Além disso, quase todas permanecem impunes, escondidas, cobertas.
::''La presse, hétérosexuelle et familiale, fait passer les pédérastes pour des agresseurs que les enfants ont à craindre. Mais, dans leur immense majorité, les viols d’enfants sont hétérosexuels et familiaux. En outre, ils demeurent presque tous impunis, cachés, couverts.''
 
QUI EST QUI ? (quem é quem?)
 
* Escrevemos para os outros ou para nós próprios? A velha pergunta é engraçada. Quando eu escrevo, tenho a impressão de que cem mil pessoas —que me desejam todo o bem e todo o mal que há no mundo— espiam por cima do meu ombro, ditam, avaliam, comentam, insinuam, me puxam o cabelo, brigam, gritam e se calam de golpe, chiam novamente, esperneam, suspiram, ameaçam, me beijam, me espetam, me arrancam da cadeira, me sentam de novo, me mimam, aproximam seus focinhos e me chupam o sangue: e esses odiosos vampiros alborotadores, esses demônios, essa multidão tirânica para a qual eu trabalho, aterrorizado, adulado, cirandado, sou eu sozinho.
::''Ecrit-on pour les autres ou pour soi? La vieille question est drôle. Quand j’écris, j’ai l’impression que cent mille personnes — qui me veulent tout le bien et tout le mal du monde — épient par-dessus mon épaule, dictent, évaluent, commentent, insinuent, tirent mes cheveux, se chamaillent, hurlent et se taisent d’un coup, braillent à nouveau, piétinent, soupirent, menacent, m’embrassent, me piquent, m’arrachent la chaise, me rassoient, me cajolent, avancent leurs museaux et me mordent au sang : et ces odieux vampires chahuteurs, ces démons, cette foule tyrannique pour laquelle je travaille, terrifié, adulé, saccagé, c’est moi seul.''
 
GARÇON (menino, garoto)
* É comum dizer que as meninas são melhores em classe do que os meninos. Um cumplido envenenado. A escola é baseada na rutina, na mediocridade, na obediência, na comédia, na fofoca, no interesse individual, no servilismo para as mestras, no arte de atraiçoar os colegas. É isso que faz os meninos maus alunos: e isso é o que favorece as meninas.
::''On répète que les filles sont meilleures en classe que les garçons. Un compliment empoisonné. L’école est fondée sur la routine, la platitude, l’obéissance, la comédie, la jaserie, le chacun pour soi, la servilité envers les maîtresses, l’art de trahir les camarades. Voilà ce qui rend les garçons mauvais élèves : voilà ce qui avantage les filles.''
 
GRAND (grande)
 
* Os grandes homens são crianças de três anos que têm a força para impor a sua loucura.
::''Les grands hommes sont des enfants de trois ans qui ont la force d'imposer leur folie''.
 
HUMOUR (humor)
 
* Não temos suficientes lágrimas para todas as desgraças do mundo, é preciso rir dalgumas delas. Das suas, por exemplo.
::''Nous n’avons pas assez de larmes pour tous les malheurs du monde, il faut bien rire de quelques uns d’entre eux. Les vôtres, par exemple.''
 
PENSÉE (pensamiento)
 
* Uma filosofia não seria honestahonrada se não fosse contraditória, incoerente, indefendível.
::''Une philosophie ne serait honnête que contradictoire, incohérente, indéfendable''.
 
SILENCE (silêncio)
* O vício corrige melhor que a virtude. Suporte um vicioso e tomará horror ao vício. Suporte um virtuoso e logo odiará a virtude inteira.
::''Le vice corrige mieux que la vertu. Subissez un vicieux, vous prenez son vice en horreur. Subissez un vertueux, c'est la vertu tout entière que vous haïrez bientôt.''
 
* Talvez o homem é mau porque, durante toda sua vida, está esperando morrer: e assim morre mil vezes na morte dos outros e das coisas.
:Pois todo animal consciente de estar em perigo de morte fica louco. Louco medroso, louco astuto, louco malvado, louco que fuge, louco servil, louco furioso, louco odiador, louco embrulhador, louco assassino.
::''Peut-être l'homme est mauvais parce que, la vie durant, il attend de mourir: et meurt mille fois dans la mort des autres et des choses.
::''Car tout animal conscient d'être en danger de mort devient fou. Fou peureux, fou rusé, fou méchant, fou fuyant, fou servile, fou furieux, fou haineux, fou tortillard, fou assassin.''
 
W.C.
 
*Todas os meninos são homens. Poucos adultos continuam a sê-lo.
::''Tous les enfants sont des hommes. Peu d’adultes le restent.''
 
 
 
 
 
* Não temos suficientes lágrimas para todas as desgraças do mundo, é preciso rir dalgumas delas. Das suas, por exemplo.
::''Nous n’avons pas assez de larmes pour tous les malheurs du monde, il faut bien rire de quelques uns d’entre eux. Les vôtres, par exemple.''
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* Os grandes homens são crianças de três anos que têm a força para impor a sua loucura.
::''Les grands hommes sont des enfants de trois ans qui ont la force d'imposer leur folie''.
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* Se você é um adiantado ao seu tempo, amanhã por fim o adoraram os idiotas.
::''Si tu es en avance sur ton temps, demain enfin les imbéciles t'aimeront.''
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* Só chamamos de crueldade aquela da qual somos vítimas. A que exercemos nós a denominamos dever, amor ou direito.
::''Nous n'appelons cruauté que celle dont nous sommes victimes. Celle que nous exerçons, nous la baptisons devoir, amour ou droit.''
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* Talvez o homem é mau porque, durante toda sua vida, está esperando morrer: e assim morre mil vezes na morte dos outros e das coisas.
:Pois todo animal consciente de estar em perigo de morte fica louco. Louco medroso, louco astuto, louco malvado, louco que fuge, louco servil, louco furioso, louco odiador, louco embrulhador, louco assassino.
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* Tenho uma tendência terrível a pedir dinheiro a qualquer um que me fale bem de mim.
::''J'ai une terrible tendance à demander de l'argent à quiconque me dit du bien de moi''.
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* Uma filosofia não seria honesta se não fosse contraditória, incoerente, indefendível.
::''Une philosophie ne serait honnête que contradictoire, incohérente, indéfendable''.
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* Escrevemos para os outros ou para nós próprios? A velha pergunta é engraçada. Quando eu escrevo, tenho a impressão de que cem mil pessoas —que me desejam todo o bem e todo o mal que há no mundo— espiam por cima do meu ombro, ditam, avaliam, comentam, insinuam, me puxam o cabelo, brigam, gritam e se calam de golpe, chiam novamente, esperneam, suspiram, ameaçam, me beijam, me espetam, me arrancam da cadeira, me sentam de novo, me mimam, aproximam seus focinhos e me chupam o sangue: e esses odiosos vampiros alborotadores, esses demônios, essa multidão tirânica para a qual eu trabalho, aterrorizado, adulado, cirandado, sou eu sozinho.
::''Ecrit-on pour les autres ou pour soi? La vieille question est drôle. Quand j’écris, j’ai l’impression que cent mille personnes — qui me veulent tout le bien et tout le mal du monde — épient par-dessus mon épaule, dictent, évaluent, commentent, insinuent, tirent mes cheveux, se chamaillent, hurlent et se taisent d’un coup, braillent à nouveau, piétinent, soupirent, menacent, m’embrassent, me piquent, m’arrachent la chaise, me rassoient, me cajolent, avancent leurs museaux et me mordent au sang : et ces odieux vampires chahuteurs, ces démons, cette foule tyrannique pour laquelle je travaille, terrifié, adulé, saccagé, c’est moi seul.''
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