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Alterações

7 bytes adicionados ,  23h16min de 14 de maio de 2014
 
*Lembrando-se destas coisas enquanto aprontavam o baú de José Arcadio, Úrsula se perguntava se não era preferível se deitar logo de uma vez na sepultura e lhe jogarem a terra por cima, e perguntava a Deus, sem medo, se realmente acreditava que as pessoas eram feitas de ferro para suportar tantas penas e mortificações; e perguntando e perguntando ia atiçando a sua própria perturbação e sentia desejos irreprimíveis de se soltar e não ter papas na língua como um forasteiro e de se permitir afinal um instante de rebeldia, o instante tantas vezes desejado e tantas vezes adiado, para cortar a resignação pela raiz e cagar de uma vez para tudo e tirar do coração os infinitos montes de palavrões que tivera que engolir durante um século inteiro de conformismo.
:— Porra! — gritou.
:Amaranta, que começava a colocar a roupa no baú, pensou que ela tinha sido picada por um escorpião.
:— Onde está? — perguntou alarmada.
:— O quê?
:— O animal!— esclareceu Amaranta.
:Úrsula pôs o dedo no coração.
:— Aqui — disse.
 
*Era tão premente a paixão restaurada que em mais de uma ocasião eles se olharam nos olhos quando se dispunham a comer e, sem se dizerem nada, tamparam os pratos e foram morrer de fome e de amor no quarto.
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